Sunday, September 01, 2002

Este fim de semana: Viagem para o interior com a família, para uma festa. A festa foi boa, mas estou me descobrindo cada vez mais ranzinza.

Tarde no Interior

No céu, as nuvens desenham uma aquarela impossível.
Sobre a terra... Dentro dela, crescem os vegetais, tão verdes e felizes com a chuva caída que podemos, prestando atenção, ouvir suas raízes estalarem.
Na mi8nha casa, todos caminham para a noite com a reclusão cerimoniosa das horas intermediárias... Horas em que tudo é expectativa por aquelas que virão a seguir.
São estes momentos parados do dia, com gosto de café e bolo de fubá... Som de televisão e ar de noite, muito antes que a noite chegue, que me fazem acreditar ainda existir algo em nossa alma que pede para ser descoberto.
São estes os momentos que não se revelam a ninguém, e que ninguém jamais desvendará.

Saturday, August 31, 2002

"O INFERNO SÃO OS OUTROS"

Título dramático demais para esse texto, que antes de mais nada é uma resposta parcial a um recado que recebi de Liz comentando que eu me preocupo demais com o que os outros pensam, e que com isso as minhas ações e alegrias podem ser portas a perder.
Eu concordo plenamente com tudo isso. O único ponto divergente é o motivo causador de todos esses sentimetnos conflitantes. Para mim, a opinião dos outros realmente não importa. É a minha tristeza que me faz degenerar.

Wednesday, August 28, 2002

"Onde fica o botão para desligar? (risadas)".
Foi o comentário que ganhei no final da aula de inglês, enquanto me perdia na explicação rápida de Cyrano de Bergerac. Eu estava feliz... empolgado. As palavras fluíam de minha boca com uma velocidade deliciosa... Era um momento só meu, e um dos poucos instantes realmente prazeirosos que eu tenho na minha vida: Sentir outra língua escapar de minha boca rapidamente. Era, porque o comentário e as risadas fizeram-no desabar como um castelo de cartas, e eu vi quão ridículo sou.
As risadas se prolongaram... o professor entrou na dança, e eu ali, parado... sem saber onde esconder o rosto.... Sem saber onde esconder toda minha conciência. Por um instante tive vontade de fechar os olhos e me imaginar voando... Deixando a estratosfera em uma velocidade absurda... Perdido no silêncio vazio do espaço escuro, com a Terra atrás de mim, desaparecendo como uma bolha azul que corre rumo à superfície...
Mas não... eu estava em pé na soleira da porta da classe, com todos rindo de mim. Tenho certeza que quando pensar nesses instantes daqui a algum tempo vou me dizer que eles é que eram uns pentelhos... Que podiam ter pedido para que eu contasse minha história outro dia... Mas a verdade é que ninguém além de mim estava interessado no que eu tinha para contar... E eu realmente falo demais.
Hoje meu dia foi uma perda, que se resmiu inteira neste último momento. Não tenho como me sentir mais ridículo do que agora.... Nem mais abandonado de tudo... Eu sou uma piada de mau gosto, e minha vida, as pessoas... todos estão aí como o Cavaleiro do Espelho na ópera de Don Quichote, com o único objetivo de esperar sorrateiramente o momento em que nossos devaneios estão voando mais alto para nos mostrar a dura e fria realidade, que transforma em poeira de nada os corcéis orgulhosos que montamos em sonhos e desfaz nossas armaduras reluzentes, deixando-nos nús como vermes em meio à multidão que se rompe em risadas.
O "botão de desligar" é fácil de achar... As risadas e zombarias com certeza vão acioná-lo, calando a voz impertinente.
Agora sei que morrerei sufocado em meus próprios discursos, esmagado pelo peso das palavras que nunca direi, pois ninguém as quer ouvir.
Primeiro Comentário

Hoje eu recebi o primeiro comentário sobre essa interminável pilha de inutilidades... Darlene, valeu pela participação! (vc realmente achou que eu ia colocar seu nome verdadeiro aqui?).
Anyway, ela falou coisas interessantes : "Acho q a visão q vc tem hoje das coisas é típica dos nossos 20 e poucos, tanta energia em se opor sobre o que é standard na sociedade".
Pois é... Eu queria poder dizer que ela está errada... Mas Darlene acertou em cheio. Minha fantasia-necessidade de acredityar que existe algo de especial em mim vai embora cada vez mais, o que é bom.... o que me leva sempre mais perto da noção real das coisas. Talvez um dia eu não somente aceite isso, como tenha no mais profundo de mim a noção de "não ser especial", e sabendo não ter nada demais, não esperando ter nada de mais eu possa tornar-me diferente do resto do mundo.
No entanto não é o ser diferente que me angustia. Ser diferente dos demais não é uma prioridade. Os outros não são uma prioridade. O que me persegue na verdade é a angústia de ver minha vida me escapando apesar de mim. Em uma pobre alegoria da cachaça, poderia dizer que o sumo das coisas boas se perde nas engrenagens de minha vida traçada, produtiva e respeitável, deixando-me apenas com um bagaço esmagado e disforme, triste estemunha do que um dia já foi vivo no meu coração.
Maturidade, "quilometragem de vida" como ela tão bem falou, é outro ponto que me preocupa. Qual o papel disso na nossa rebeldia? Devemos enxergar nossa vontade de protestar (nossa vontade típica dos 20 anos) como algo passageiro? Não duvido que sim. Quando somos jovens, reclamamos de tanto sem realmente ter tanto para reclamar... Ou temos? Quantas pessaos podem se olhar no espelho e repetir para si mesmas "Ok... Estou feliz comigo e com minha vida...."?
Assim, será o amadurecimento tão procurado por aqueles que querem desesperadamente poder se considerar "mais adultos" algo que se deva realmente querer? Não acredito que amadurecer seja uma fronteira linear que cruzamos em um certo ponto da vida. Podemos amadurecer em diferentes velocidades, sob difirentes pontos de vista... Mas eu temo que dentro do amadurecimento como é visto no mundo de hoje esteja camuflada a semente do conformismo... E a única maneira de evitar esta apatia diante das condições implacáveis da vida é radicalizar... E buscar o pequeno suspiro de heróis de romance que existe dentro de nós para trazê-lo à vida. Sei que esta idéia parece ridícula, digna de um garoto no começo da adolescência... Mas é esta a grande angústia furiosa que devorou Cyrano, certo?
Então é tudo uma questão de escolha.... Bodemos brilhar muito, e apagar rápido... ou sermos uma chama duradoura e confiável que se estende ao longo dos anos.
Honestamente, eu escolho ser o escuro que envolve as duas.

Darlene, para te agradever pela mensagem, e por uma preferência sua:

"Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
"


Fernando Pessoa

Monday, August 26, 2002

O mistério que há nas coisas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?

E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as coisas penso no que os
[homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco em uma pedra.

Porque o único sentido oculto das coisas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as coisas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.

Sim, eis o que os meus eentidos aprenderam sozinhos: -
As coisas não têm significados: têm existência.
As coisas são o único sentido oculto das coisas.

Fernando Pessoa


Esta vai para todos os intelectuais metidos a besta que, entre um feng-shui e outro, babam em cima de todos os livros das prateleiras de lançamentos das livrarias... E também para todos aqueles que acreditam muito mais no nome do autor do que na história...
Kafka nunca me disse nada que acrescentasse algo à minha vida.... mais do que isso, acho ele um pé no saco como escritor.
Pessoa é um poeta... E sem dizer quase nada, ele já disse tudo.

Sunday, August 25, 2002

As Pessoas Quânticas

Escrever este texto não será fácil... Principalmente porque para isso terei que explicar o pouco que entendi da teoria quântica. Felizmente, essas idéias malucas elaboradas por um grupo de físicos desocupados é tão bizarra que nem mesmo eles conseguem entender como funciona. Assim, vamos lá. Ao menos minha ignorância será aquela de todos. Esta é a grande vantagem da física quântica: Você não precisa ter vergonha de dizer que não entende.
A teoria em si tem um conceito simples, porém não muito inteligível para nós, mortais. Ela afirma que alguns objetos (quando foi escrita usaram elétrons) possuem basicamente dois tipos de comportamento: o de uma onda e o que uma partícula. Se os observamos isolados dos demais, eles comportar-se-ão como partículas. Quando eles são colocados em uma grande quantidade, vemos que existe uma “perda de individualidade”, o que faz com que em grupo as partículas adquiram um comportamento de ondas, com toda aquela história de interações construtivas e destrutivas, que gera um padrão no aparentemente caótico comportamento de um corpo isolado.
O mesmo vai para as pessoas.
Quando falamos de nós mesmos, gostamos de nos considerar únicos. Pensamos que em algum ponto somos originais de uma maneira que nunca antes ninguém foi, ou pensou ser. Na nossa imensa arrogância, nos vemos como indivíduos especiais à nossa própria maneira.
A realidade nos mostra outra coisa... Nela, vemos um mundo repleto de pessoas fascinadas pelo estereótipo do perfeito: Somos halterofilistas intelectuais, românticos que lidam mais com a carne do que com o espírito... Somos filósofos vazios que não fazem nada além de repetir aquilo que lêem de outros que vieram antes.
Quando olhamos de longe, não é difícil ver aparecerem os padrões. Assim, as pessoas quânticas buscam a solidão para encontrar a serenidade, mas aglomeram-se nas entradas das danceterias. Elas querem ser românticas e sensíveis, mas correm atrás do sexo fácil em cada evento... Cada momento em que a oportunidade se anuncia. Eles querem a paz, mas isto é apenas o pretexto para estar sempre em guerra.
Aqueles que estiverem lendo essas linhas devem estar dizendo “Mas eu não sou assim... Conheço muita gente que não é assim... Você não pode generalizar...”
Não posso? Tem certeza? Talvez existam umas pouquíssimas exceções às minhas generalizações, mas elas estão quase sempre certes para todos, inclusive para mim. Sim... Eu também sou parte da mediocridade do mundo. Assim como o comunista estereotipado com sua barba, bandeiras vermelhas e todos os acessórios que compõem sua imagem: sandálias de couro, ponchos, etc. As modas, tendências e manias todas refletem plenamente esse nosso comportamento condicionado. (Condicionado sim... Desde quando toda a mulher aceita pagar um dinheiro muitas vezes absurdo por uma calça jeans que foi desbastada no esmeril?
Nosso comportamento é exatamente o de uma partícula segundo a teoria quântica: Isolados, parecemos indivíduos... Diferenciados, beneficiando de nossos próprios movimentos sem referência alguma ao exterior. No entanto estamos mais do que desejosos de desistir dessa desconfortável individualidade quando entramos no fluxo louco de nossa vida coletiva.

Saturday, August 24, 2002

Bem... Este é meu novo blog.... Espero que gostem....
Como minha experiância anterior foi rápida, coloquei os dias que estavam no meu antigo blog aqui... Assim ao menos existe algo para ser lido enquanto não carrego nada novo....

8/24/2002 10:38:45 AM
Acordei.
Acodei para descobrir que uma poção de mandioca junto com a cerveja foi demais... Rolei para a cozinha e tomei um como d'água cheio de sal de frutas vencido para ver se melhorava. Realmente, melhorou. Agora estou me presenteando com uma manhã de sábado nublada (já estava na hora....) e um tempo para escrever tranqüilamente. Ontem foi um bom dia: fui ver uma esposição no MASP sobre Paris de 1900... Eu gosto muito do período do romantismo, tanto no seu lado artístico quanto no literário (tudo bem: os romances são uma droga, mas a poesia não.). Depois fiz o que mais gosto de fazer: Sentei-me na frente de um café e escrevi até me tocar que o café já havia virado chá, que o sorvete já era sopa e que o garçom já era um cara mau-humorado que se perguntava se eu ia beber, sair sem pagar ou passar um xaveco nele...
É claro que antes de sair da exposição eu comprei uma borracha para minha mãe. Ela já está fazendo coleção: Toda a vez que eu vou no MASP eu trago uma borracha para ela. Monet, Picasso, Renoir e Paris 1900... Michelangelo, ela não tem.... Quando fui comprar, elas já se haviam esgotado, então trouxe um lápis. Vai querer gastar dinheiro assim lá no inferno...
Depois fui encontrar minha namorada... O'Malley's, é claro. Nos sentamos em um canto isolado, é claro...Fomos tomar Guinness... é caro. 13 reais o pint de Guinness, dá para acreditar? Claro que dá... Afinal, com toda essa história envolvendo o Dólar e com a ganância dos desgraçados donos do O'Malley's, não tem como evitar.
De qualquer maneira, nós conversamos muito. Eu contei para ela sobre um medo que vinha tendo há algum tempo, a sensação de que não conseguiremos ficar juntos por mais de dois anos, porque ela deseja seguir um caminho diferente do meu... Viajar para outros lugares... Enfim... Talvez isso seja um reflexo de meu desinteresse, ou um pretexto para criar alguma distância entre nós... Mas o fato é que eu não tenho andado muito presente para ela. Pro alguma razão as coisas começaram a esfriar. Ela é uma pessoa legal, mas ao mesmo tempo quando ficamos juntos muitas vezes ocorre de eu estar lá querendo fazer outras coisas. Como se lida com isso? É o meu papel de namorado encarar bravamente esse baixo no nosso relacionamento, ou devo continuar cavando a trincheira até separar nossos universos mais uma vez?
Não existe nada mais complicado do que esse eterno baile que são os relacionamentos entre as pessoas. É por isso que eu confio no papel. (Não no papel: ato de escrever no computador.... O verdadeiro papel.... onde se escreve com caneta tinteiro!). Esse sim, é sempre novo, e sempre igual. Uma folha de papel é eternamente o universo branco onde riscamos linhas para nossas idéias. Desenhamos paisagens com as palavras, e nelas descrevemos as mais lindas moças, saídas dos nossos sonhos. Ninfas, musas, deusas... todos eles se curvam ante o peso da caneta do autor, que molda a vastidão branca da folha a seu bel prazer... Perdendo-se no turbilhão do ênxtase de ser ao mesmo tempo criador, protagonista e único. Quando lemos um poema, sempre olhamos para o poema em si... Mas a mão que o escreveu está lá, atrás das linhas... Acariciando-as da ponta dos dedos enquanto sonha com outras para continuar a jornada da escrita. Quando escrevemos um poema, nós somos essa mão.
E tem gente que diz que nada se compara ao sexo... Na minha opinião, eles é que não se comparam a uma folha em branco.

Poema Compromissado

Hoje acordei e surpreendi minha pena apressada...
Pensando nos comprimissos...
Desesperada pelo que deveria escrever.
Mas a poesia vem desprovida do querer:
A poesia é um ponto na folha, que caminha e volteia,
Sem saber para onde vai.
Ele deixa atrás de si o rastro pronunciado de sua
indecisão,
De seu amor, da tristeza, da dor...
Poesia é o ponto que se perde em função do poeta,
Rabiscando no papel o gráfico de seu amor,
Silencioso e alheio a todas as regras, ele passeia
como uma criança solta em um ginásio vazio...
E termina seu percurso quando sente ter a hora.

D'eu mesmo.

Honestamente, tenho mil receios de colocar aqui o que escrevo. Como disse antes, isso não é uma autopormoção. Coloquei porque deu vontade. Não gostou?
Vai pro Feng Shui.
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[8/24/2002 2:55:58 AM
HORÁRIO POLÍTICO

É a piada de mais mau gosto depois da Virgindade da Britney Spears e da inocência da Sandy. Em todos os lugares do mundo conhecido como moderno e civilizado os políticos apresentam suas propostas de governo em locais especializados, onde os interessado pordem colocar seus olhos sobre elas e ler detalhes como de onde esse filha da puta pretende tirar dinheiro para tornar o país independente do FMI, como o corno vai ou não dar continuidade na política... Enfim, todas as pequenas coisas que o brasileiro considera uma caixa mágica (coloca o imposto de um lado, sai o rombo nos cofres públicos do outro).
Mas não: nosso horário político é uma eterna salada de musiquinhas, depoimentos emogionados e juramentos de amor ao Brasil (ou ao estado, ou à cidade) que fariam o amor de william Wallace pela Escócia parecer um caso de fim de festa. O pior é que as pessoas engolem isso. Elas querem saber de novela, não de projetos... Então eles tentam fazer o horário político parecer uma. O importante é ver que foi grosseiro, quem xingou quem...
Será que ninguém se cansa dessa droga?
O poir é que depois, quando toda a cerimônia imbecil da eleição passou, o povo vai reclamar, reclamar e reclamar do candidato que foi colocado lá em cima.... e como sempre esquecerá que foram precisamente eles que colocaram o cara ali.
Nós, brasileiros, adoramos reclamar das coisas como se não tivéssemos alcance sobre ela. Isso nos permite sofrer livremente, sem a parcela de culpa que viria logicamente nos atormentar se admitíssemos ter algo a ver com as coisas.
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[8/23/2002 1:08:51 AM
COCKTAIL PARTY

Não tenho vergonha de dizer que estou triste,
Não dessa tristeza ignominiosa do que, em vez de
se matarem, fazem poemas:
Estou trsite porque vocês são burros e feios
E não morrem nunca...
Minha alma assenta-se no cordão da calçada
E chora,
Olhando as poças barrentas que a chuva deixou.
Eu sigo adiante. Misturo-me a vocês. Acho vocês
uns amores.
Na minha cara há um vasto sorriso pintado a vermelhão.
E trocamos brindes,
Acreditamos em tudo o que vem nos jornais.
Somos democratas e escravocratas.
Nossas almas? Sei lá!
Mas como são belos os filmes coloridos!
(Ainda mais os de assuntos bíblicos...)
Desce o crepúsculo
E, quando a primeira estrelinha ia refletir-se em todas
as poças d'água,
Acenderam-se de súbito os postes de iluminação!

Mário Quintana
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[8/22/2002 12:57:49 PM
Well.... It`s the third time I write this message.... and It`s still not going... I won`t write all the quotations I wrote on the other two... I`s gonna be lost by the computer failure, anyway...
My girlfriend was mad at me right now... Beacuse I forgot that her lunchbreak was at eleven. Even though she had to stay there and work she still got mad at me. Can`t blame her... There is, however, something that I just can`t deal with: Being with someone all the time. I need some time for myself... I need to think and to write... But she doesn`t seem to see it that way.
Yes, this is my problem... Yes, I have many, many problems... And I don`t want to hide them under a thousant reasons like other people do. They are mine, and are there to be solved... But I`m also willing to pay the price for having them.
I`s really depressing how people distort reality to better fit in it. Everybody is a loner, a poet and a sensitive person... When it comes to receive the good consequences of it. Everybody likes the dialogs of Cyrano de Bergerac and is willing to recite them when it`s time to seduce a supid little girl and have some sex... But when it comes to loving and suffering for that love, people find the most amazing psychological exits to that, and manage to walk away from pain and still go on believing they are brave, perfect on their own way (because everybody "knows" they`re not perfect... They just don`t see any of their defects).
There`s no point in asking if this life is good for me or not... I live, and there`s not much choice to it, unless I want to put a bullet in my head... And honestly, I`m not strong enough for that.

"You are not a beautiful, unique snowflake... You`re the same decaying organic matter as everithing else"
Tyler Durden, Fight club
(one of the best movies I`ve ever watched)
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[8/22/2002 11:01:39 AM
Ok... Today I decided to create one of these blog things. I`ve never done it before... I`ve never even seen one before. To tell you the truth, I don`t know what kind of morbid curiosity drives me into doing that. Maybe because I want a piece of me in the internet... Or just because I would like to tell all my imaginary friends that I`ve a blog (whoa! Look at me! I`m sooo modern I could cry!)...
Anyway, the Blog is now here.
You, reader, whoever you may be, will most certainly grow weary of my writing, unless you think depression and torture of the mind are funny things to talk or read about.... Because this is what I am: A 22 years old contradiction, trying to figure out what to do with my life. I don`t know whether I`m gonna talk about my friends in here. I don`t know what to write, but this space fills up greatly the basic need I have of writing.
There was a french writer that wrote once : " I write... Why? I don`t know.... Because I have to..."
That goes just the same way for me. I lost track of the number of lessons I spent in college not paying any attention to anything, just writing down everything that came to my mind. It feels good... It feels relieved.
So I`m gonna free myself in here... At least part of me...
But honestly, I don`t give a shit.... And you don`t either, do you?
Enough... I`ll come back later.
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